Fraude BES e o Colapso no PSI20

Fraude no BESDia 1 de agosto de 2014 fica na história como o fim do BES. O Banco português e a sua holding GES “aguentaram” bastante tempo a esconder a verdade dos reguladores!

O Banco Espírito Santo (BES) e o Grupo Espírito Santo (GES) vão ficar na história da Bolsa de Valores de Portugal como uma das maiores fraudes de sempre a nível nacional, onde a contabilidade foi adulterada durante bastante tempo, de forma a esconder transações suspeitas e prejuízos enormes. Foi um esquema bem montado! Mas, todos os esquemas acabam por rebentar… e este não foi diferente. Desde que começou a crise BES e até 1 de agosto, o PSI20 já desvalorizou mais de 25%, arrastando outras cotadas para mínimos históricos.

Não existem dúvidas que o esquema foi bem montado e existem vários culpados. Desde Ricardo Salgado à família Espírito Santo, passando pelos administradores e gestores do BES/GES… terminando no Banco de Portugal. Segundo várias notícias dos principais jornais de economia, como o Diário Económico ou o Jornal de Negócios, o Banco de Portugal garantia que os problemas já tinham sido identificados em setembro de 2013, mas mesmo assim não fez nada. Deixou “rolar” a bola… até que terminou tudo muito mal.

Análise à fraude Espírito Santo (BES e GES)

Antes de mais, pelas consequências que esta fraude financeira já teve em Portugal (e pelos impactos no futuro), os responsáveis e os seus cúmplices já deveriam estar presos a aguardar julgamento. Se isto tivesse acontecido nos EUA, o final seria bem diferente. Já estariam na prisão e passariam lá o resto da vida, como aconteceu na fraude Madoff. Mas… em Portugal a “coisa” é bem diferente. A justiça em Portugal não funciona como deveria de ser, porque é do interesse de muitas pessoas que estão no poder, incluindo os próprios deputados. Não só a condenação é limitada a um máximo de 25 anos – o que nunca vai acontecer, como o mais certo é que, os “testas de ferro” desta fraude ainda acabem por sair em liberdade com pena suspensa, pulseira eletrónica ou seja condenados por alguns anos (numa prisão com todas as comodidades).

Para melhor compreender tudo o que se passou desde o dia 3 de julho a 1 de agosto de 2014, recomendamos que leia o artigo do Jornal de Negócios, com o título “O que disse o Banco de Portugal sobre o BES“. Afinal o BES não “é sólido” como tinham dito. Os investidores entraram em pânico e começaram a se desfazer de todas as ações que tinham. Como resultado, a cada dia que passava eram feitos novos mínimos históricos…. até que rebentou a bolha. No dia 3 de agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou medidas imediatas para resgatar o BES, pelas seguintes razões:

  1. Prejuízo histórico de 3.577 milhões de euros. Os rácios de capital estavam abaixo dos mínimos exigidos.
  2. O Banco Central Europeu (BCE) vedou o acesso do banco a operações de política monetária.
  3. No dia 1 de agosto de 2014, as ações do BES caíram mais de 40%.
  4. Revisão em baixa do “rating” atribuído ao BES pela agência canadiana DBRS
  5. Faltaram condições para encontrar uma solução privada num curto espaço de tempo, perante a evidência de falhas de controlo e de atos de gestão danosa.

Com esta fraude no setor financeiro português, a confiança dos pequenos investidores e investidores institucionais diminuiu drasticamente na bolsa portuguesa. Também faço parte dessa lista! Quem é o investidor que vai ser demasiado louco de investir numa empresa de um setor onde os próprios reguladores não fazem nada, quem cometeu os crimes ficou ainda mais rico, a justiça não pune exemplarmente e depois, os acionistas ficam com o “Bad Bank”? Ninguém é louco a esse ponto!

O BES era uma bolha e, por isso, já se sabia que mais cedo ou mais tarde iria rebentar. No gráfico abaixo, é possível ver como o dinheiro dos acionistas evaporou-se. A 3 de abril cada ação valia 1,463€ e, no dia 1 de agosto (sexta-feira) o PSI-20 encerrou a sua sessão com cada ação a valer apenas 0,12€. Durante o fim-de-semana ficou decidido que os acionistas iriam ficar com o “bad bank” e que iriam perder o dinheiro investido. Ou seja, quem investiu no BES perdeu todo o dinheiro.

Gráfico BES - Antes e depois da Crise BES na Bolsa de Valores

Gráfico BES – Antes e depois da Crise BES na Bolsa de Valores

Novo Banco e “Bad Bank”

À primeira vista, a estratégia de criação de um Bom Banco e um Mau Banco parece uma boa ideia. No entanto, não é bem assim. Se os acionistas compraram ações do banco, é porque acreditavam no banco e ainda mais importante, foram (e são) uma peça fundamental. Os acionistas investiram no Banco e não na parte pior ou melhor. Os administradores e gestores que levaram o BES à falência é que deveriam ser chamados à justiça e os seus bens deveriam ser todos penhorados para entrar no “Bad Bank”, pois a responsabilidade disto tudo foi só deles.

O Novo Banco, como é agora conhecido, vai ficar com a lista seguinte de ativos e passivos:

  • Todos os ativos, licenças e direitos, incluindo direitos de propriedade do BES, com exceção das operações em Angola, EUA (Miami) e Líbia, ações próprias do banco, direitos de crédito sobre sociedades do grupo Espírito Santo e disponibilidades de 10 milhões de euros
  • As responsabilidades do BES perante terceiros que constituam passivos ou elementos extrapatrimoniais, desde que não estejam relacionados com anteriores acionistas, membros de órgãos sociais (e seus familiares) e sociedades do grupo Espírito Santo que tenham tido responsabilidades na situação financeira do banco
  • Trabalhadores e prestadores de serviços do BES

Agora… ficam as seguintes dúvidas: Os responsáveis vão ser punidos exemplarmente? Vai ser descoberta toda a verdade? Os acionistas alguma vez vão receber pelo menos 1% do dinheiro investido? Estas são algumas das respostas que devem ser respondidas nos próximos meses (ou anos).

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