Aumento de Capital do BCP 2017. Devo participar?

Aumento de Capital do Millennium BCP em 2017És acionista do BCP e estás indeciso sobre o Aumento de Capital do BCP em 2017? Tira todas as tuas dúvidas. Como funciona o aumento de capital.

As ações do BCP são uma das mais transaccionadas no índice PSI20 e em tempos foram uma das melhores ações para ganhar dinheiro na Bolsa de Valores nacional. No entanto, a crise económica, as imparidades no crédito e os sucessivos prejuízos nas apresentações de resultados, resultaram numa grande desvalorização ao longo dos anos.

Para tentar dar a volta e resolver dois dos seus principais problemas, que são a dívida ao Estado Português e o rácio baixo, o presidente do Millennium BCP Nuno Amado decidiu avançar com um aumento de capital de 1.300 milhões de euros. Esta operação arranca no dia 19 de janeiro e os títulos vão ser vendidos com um desconto de 38,6%.

Entende o que está em “jogo” com este aumento de capital, quais os riscos, a calculadora do aumento de capital e qual é a minha opinião sobre tudo isto.

Aumento de Capital Millennium BCP

O aumento de capital do BCP no valor de 1.300 milhões de euros, tem como objetivo o reembolso dos CoCo’s detidos pelo Estado, no valor total de 700 milhões de euros, e o reforço do balanço, com o aumento do rácio de capital para um nível acima de 11%.

Esse vai ser o destino do dinheiro obtido com o aumento de capital!

Para perceber se a estratégia usada pelo BCP vai ter os efeitos pretendidos e, talvez, quem sabe, poder voltar a pagar dividendos em 2018, é importante saber o que significa na contabilidade do Banco. O BCP pagou dividendos pela última vez em 2012.

De um total de 1.300 milhões de euros, vão ser usados 700 milhões de euros para o reembolso total antecipado dos CoCo’s ao Estado, depois de ter reembolsado 50 milhões de euros em dezembro de 2016. Esta estratégia é positiva porque vai poupar ao Banco Comercial Português cerca de 65 milhões de euros por ano, antes de impostos, e cancelar restrições chave relacionadas com o suporte do Estado, incluindo a proibição de dividendos e o risco da venda de negócios core.

O valor restante obtido no aumento de capital vai entrar no balanço do Banco e será utilizado para melhorar a sua posição financeira. De acordo com a informação do BCP, o rácio de capital vai ficar acima dos 11%, antecipando a concretivação do objetivo para 2018. As autoridades europeias exigem um rácio de 8,15%, um nível que permite ao banco sobreviver em caso de maior aperto económico.

Como funciona o aumento de capital do BCP?

Por cada ação detida até ao dia 16 de janeiro, os acionistas recebem um direito que garante a subscrição de 15 novas ações ao preço de 9,4 cêntimos cada.

Ou seja, se detiver 1.000 ações do BCP irá receber mil direitos após o ajustamento das ações (que acontece a 17 de janeiro). Poderá exercer estes direitos para ficar com mais 15 mil novas ações do BCP, um exercício que implicará um investimento de 1.410 euros.

O dia 17 de janeiro é a primeira sessão de Bolsa em que as ações do BCP negoceiam sem direitos. Isto é, para participar no aumento teria que comprar ações do BCP até às 16h30 do dia 16.

Abaixo deixo o calendário do aumento de capital do BCP, para que entendas quais são as datas mais importantes. Toda essa informação está no documento PDF enviado à Comissão do Mercado e Valores Mobiliários (CMVM).

Calendário do aumento de capital do BCP

As datas apresentadas são os dias mais importantes, que todos os acionistas do BCP devem estar atentos para maximizar o rendimento obtido com as ações e evitar perder dinheiro.

Se não participares no aumento de capital, deves vender os direitos, caso contrário vais perder dinheiro.

O valor dos direitos do aumento de capital BCP

Quando o BCP voltar a negociar na terça-feira (17 de janeiro), as ações do BCP vão valer apenas 0,1383€ em vez dos 0,8031€ com que encerraram um dia antes, mas a cotação apenas vai ajustar-se com o destaque do direito de subscrição no aumento de capital. O direito chegará ao mercado a valer 0,6648€.

Cada ação vai passar a valer 0,14€ e cada direito terá como preço teórico os 0,6648€, garantindo a subscrição de 15 novas ações – o valor para subscrever cada ação é de 0,0443€ mais o preço de subscrição das novas ações de 9,4 cêntimos.


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Chamo à atenção que os valores acima são dinâmicos e consoante a lei da procura e oferta. Se houver uma grande procura, os preços vão aumentar. Uma menor procura poderá baixar o preço.

Esses são os valores em destaque na emissão de 14 milhões de novas ações do aumento de capital de 1.300 milhões de euros do BCP.

A minha opinião como investidor

Como investidor na Bolsa de Valores e detentor de ações do BCP, no momento da publicação deste artigo, a minha opinião é a seguinte:

No papel a estratégia funciona perfeitamente! Em vez do BCP pagar custos de 65 milhões de euros + impostos por ano pelos CoCo’s ao Estado, paga a dívida e fica com alguma capacidade financeira para pagar dividendos aos acionistas, além de conseguir cumprir os rácios de capital e ainda ter fazer face a algum problema inesperado.

Mas, agora é a parte mais importante, se depois do aumento de capital o BCP não for capaz de resolver os problemas que fizeram o Banco chegar até esta situação, tais como as imparidades e os sucessivos prejuízos, algum tempo depois vai ficar na mesma situação.

Por agora, o BCP está um bom investimento para novos investidores, porque está preços de saldos e é um mau investimento para os antigos acionistas, porque já contam com uma grande desvalorização.

Agora, só resta decidires se queres participar no aumento de capital e comprar ações ou vender os teus direitos como acionista do BCP.

Qualquer que seja a tua decisão, espero que seja a melhor.

Bons investimentos!

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Performance passada não é garantia de resultados futuros. Capital em risco.